Clique Cristão

TENHO MINHA OPINIÃO OU SOU APENAS CÓPIA DO QUE VEJO?

06 / nov / 2011

Uma das maiores preocupações de quem educa adolescentes e jovens nos dias de hoje, traz uma pergunta: afinal, a quem estamos educando? Isto tem uma razão profunda de ser porque nos damos conta do que teremos que entregar à sociedade mais tarde enquanto pessoa e não indivíduo útil a esta mesma sociedade.

Preocupa-me como educador, por exemplo, ver uma geração que, embora traga lá no fundo uma sensibilidade, caminha pela trilha da mera cópia de tudo o que vê como modelo a ser seguido. Vejamos alguns exemplos: como educador, por muitas vezes me deparei com alunos em sala de aula, e fora dela também, postos em situação de escanteio simplesmente por não gostar das mesmas coisas que a maioria gostava. Lembro bem de uma época em que para ser considerado jovem, curtir o grupo Legião Urbana era a referência. Ai de quem não simpatizasse ao menos por longe com canções como “Pais e filhos”, “Será”, “Vento no litoral” e outras. Parecia estar fora de órbita, não fazer parte de um mundo de gente que tem cabeça e bom gosto.

Para não ir tão longe no tempo, trago um exemplo de nossos dias. Redes sociais como Orkut, Facebook e outras que tem propostas de “fazer amigos e facilitar a comunicação entre eles”, sem dúvida, tem lá suas vantagens. Aqui mesmo já tratei nessa mesma coluna sobre os riscos dessas amizades. Porém, não é exatamente isto o que aqui nos importa senão o seguinte: alguém, por exemplo, e não se sabe exatamente quem, inventou um novo estilo de fotografia para os adolescentes no Orkut. É comum encontrar todo mundo copiando posições de fotos, sempre seguindo o mesmo padrão como se isso fosse o referencial para se afirmar um ideal jovem.

E as músicas? Ah! Essas é que tem panos pras mangas pra gente falar. Basta ver o que tem chegado aos ouvidos dos nossos jovens com o nome de “arte”, um verdadeiro lixo sonoro. Algo simplesmente impensável. O que dizer de certas letras de funk, rock, versões de letras estrangeiras gravadas por bandas de “forró” (se é que podemos chamar aquilo de fato assim), isso sem contar com letras em inglês e outros idiomas, normalmente concebidas como românticas, mas que são verdadeiras apelações a tudo o que não convém ao nome de cristãos.

E quando se trata do visual dos nossos jovens, então… Não raro, o antigo e tradicional jeans, camiseta e tênis que já os caracterizou em tempos passados, hoje são complementados com adereços especiais que vão do corte de cabelo, normalmente exótico e chamativo, até uma certa “mutilação” do corpo pelo uso de brincos especiais, piercings, alargadores e outros. E tudo isso em nome da moda que dita o tom, a marca de quem quer ser considerado jovem hoje. Acrescente-se a isso a grande freqüência às academias para se ter um corpo sarado e às vezes com uma cabeça atrofiada que se deixa levar por qualquer onda.

Como se não bastasse, vem o problema da auto-afirmação por meio das drogas lícitas e ilícitas. Preocupa-me hoje, por exemplo, o número de meninas que estão enveredando pela doença (vício) da embriaguês. Chega a ser alarmante aqui no Nordeste o que hoje se constata numa balada qualquer quanto a esses riscos que permeiam nossos adolescentes e jovens.

Jovem deve ser isso: autenticidade, mesmo contra tudo e todos; coragem de optar pelo bem, mesmo que o mundo lhe aponte o mal como caminho; audácia de ir de encontro com as estruturas que simplesmente que o rotulam. Jovem que é jovem tem sua forma de ser e não como querem que ele seja.

Agora pare e pense: como adolescente e jovem, será que o que você gosta é realmente o que lhe agrada ou é somente para não passar por atrasado e um “Zé Mané” diante dos outros? O seu estilo é, de fato seu ou cópia apenas para não contrariar outros e se passar por atrasado e fora de moda? Raul Seixas já nos disse numa canção: “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Mas agora olhemos agora para um jovem bem superior a ídolos e artistas. Ele era simples, comum, fazia parte do povo, obediente aos seus pais, tinha sua turma, se relacionava com as pessoas numa atitude de extremo respeito, falava de amor. Em nada se diferenciava de um jovem comum de sua época a não ser na autenticidade de ser sereno e forte ao mesmo tempo, doce e tenaz naquilo que acreditava ter como ideal de vida. Ele é Jesus de Nazaré. Copiava pessoas? Não. Movia-se por “ondas da época”? Tampouco. Era feliz? Com certeza. Era autêntico e, por isso, deixou muitas lições de vida para quem quiser alcançar o sentido verdadeiro dela. Por que não se fez cópia de outros? Porque sabia que era muito amado e que tinha muito amor pra dar às pessoas. Acreditou tanto nisso que levou ao extremo esse jeito forte e concreto de amar até a doação de si mesmo numa cruz.

Pense bem nisso, e não tenha medo de ser você mesmo, ainda que outros o critiquem. Jesus passou por isso e nos mostrou que as pessoas-cópias de outras, se perdem no tempo, mas as que são autênticas sempre farão história e diferença.

Concluindo esse artigo, se eu fosse cópia de outros eu até diria “vlw bro, fui”,mas como não sou, lhe digo apenas “Até o próximo mês”.

Deus o abençoe. Um abraço grande pra você.

Pe. Edson Rodrigues

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