Clique Cristão

Um “lance” que aquece o frio de dentro

24 / jan / 2012

Considerando a possibilidade dos vários encontros e desencontros no hoje… aqui estou a escutar os infernos diários e paraísos narrados pelos peregrinos do ônibus em que me contextualizo como a mão e a luva. Não sei a natureza desses, o que sei é que no banco de trás dois jovens falam sobre sonhos. Isso me faz acreditar que o hoje já vai ser diferente, eles ainda sonham. Mas, sonham com o quê?Pela narrativa descontraída fala de futuro, um deles passou para o curso de psicologia. O bom nessa narrativa entre as gírias do momento é que “me liguei” num lance muito doido cara! A amizade, a partilha desse pão, através das palavras, dos gestos, do audível, perceptível, mas, principalmente pelo inaudível, do invisível daquilo que só se sente. Lindo 2012 meu amigo. Boa Sorte! Lá se foi numa parada de ônibus uma semente que o vento sopra onde quer em sua leveza. Quanto ao outro ficou com um sorriso terno a imaginar-se psicólogo.

Nessa integração entre mundos, eis o lugar dos laços e não dos nós, eis o círculo: homens se procuram, se encontram e muitas vezes se percebem mais irmãos de amigos que dos próprios de sua casa. Mistério… Somos todos irmãos nesse ninho de amor em que a Ágape teima em reafirmar-se como força movente de todo sonho, todo sorriso, abraço, palavras… Posso lhe ajudar a atravessar a rua? Novamente a cena se faz e de fato quem encontra um amigo encontra um tesouro. Se desejares mapas, pistas, desafios, eis o segredo: “Só se vê bem com o coração”. Fiquem atento as imagens podem confundir os sentidos, mas a atitude arrasta-nos ao encontro daquele que nosso coração ama.

O calor intenso faz enlouquecer o trânsito, as buzinas, os palavrões, os gestos obscenos, pedestres correm fora das faixas de segurança, que desencontro… Um contraponto para meu sonho da manhã, meus sentidos se confundem e pergunto: onde foi parar a fraternidade, o respeito, a partilha do pão e da vida?

Com o corpo em ebulição e a mente atordoada de indagações me vem ao encontro uma amiga que há muito não via e me diz: que bom vê-la sempre com essa paz e tão iluminada… Dou uma boa risada e fico a ouvi-la contar suas dores de separação em pleno sol do meio dia em frente de uma loja. Escuto e ela se despede agradecendo por me “alugar”… Em meio ao barulho dos camelôs que gritam para sobreviver, me deparo comigo: quando voltarei a ver essa pessoa de novo. Inspiro e expiro olho ao redor e volto o Olhar para traz e lá vai minha amiga na multidão mais aliviada e eu aqui penso em algo que li há muito tempo… “O amigo não é para preencher vazios, mas necessidades”. Poxa. Tudo se fez silêncio naquela furiosa tempestade de sol, buzinas e pressa, em que alguém chegou de forma metafórica e disse: tenho sede.

Após a agenda ser cumprida e o ocaso chegar, aqui de novo em um banco qualquer do mesmo ônibus, rostos cansados como o meu me rondam. Um jovem senta ao meu lado e pergunta: E aí? Cansado meu velho? Sim! Mas, feliz!Não estou sozinho “mano”? O jovem se espanta com a gíria e com um sorriso desses que só um jovem sabe dar, responde: Valeu!

Hora de descer… Que bom podermos fazer a diferença.

 

Celuy Araújo

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  • Pâmella 28 de janeiro de 2012

    gostos de seus textos sempre tem uma mensagem interessante no final! Parabéns.

  • Teresinha Alves 29 de janeiro de 2012

    O têxto do autor(a) tem um RICO vocabulário,mas eu o resumo com poucas palavreas:
    Falta de DEUS.
    Não existe amor para com o próximo.
    Vivemos num mundo cheio de “egoismo”.
    Só se pensa no TER..
    Se todos nos unirmos.teremos com certeza.
    UM MUNDO DE PAZ!!!!
    Então demos nos as MÃOS.
    Por enquanto vamos sobrevivendo…

    Teresinha.

  • Káthia 1 de fevereiro de 2012

    Texto de profunda sensibilidade e observação do cotdiano em suas formas variadas.Vleu Celuy o/

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