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Vigília inaugura Memorial Covid-19 na Igreja da Sé em Olinda

15 / mar / 2021

Somos Igreja, partilhamos a dor dos irmãos, rezamos por eles. Essa foi a mensagem que a Arquidiocese de Olinda e Recife deixou ao inaugurar, com uma vigília, o Memorial Covid-19 na catedral metropolitana na última sexta-feira (12/03), uma grande exposição de fotografias que trazem histórias de muita luta. Pessoas enviaram para a equipe de Liturgia da catedral, via e-mail, fotos de familiares que morreram de Covid. Outro grupo enviou fotos de médicos e enfermeiros que continuam na linha de frente, lutando para salvar vidas nos hospitais da Região Metropolitana.

O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, presidiu a vigília na catedral, que contou com a participação de poucos convidados, representando as famílias dos mortos e os profissionais de saúde. No altar, representando o clero arquidiocesano, estavam o vigário geral monsenhor Lino Rodrigues, o vigário episcopal de Olinda monsenhor José Severino e o cura da catedral monsenhor José Albérico Bezerra.

“Essa vigília é um momento orante em que pedimos a Deus pelas pessoas que partiram para a casa do Pai vítimas de Covid, por seus familiares de maneira especial, e rezamos pelos profissionais da saúde, verdadeiros heróis que estão servindo com muita disposição todos os que são vítimas dessa enfermidade”, afirmou dom Fernando.

Na disposição das fotos, uma explicação bastante significativa: “Nas colunas centrais (em vermelho) colocamos as fotos das pessoas que morreram e no centro dessas fotos está o círio pascal, que para nós é o símbolo da ressurreição, para dizer que essas pessoas hoje são ressuscitadas em Cristo. E nas paredes das laterais (em azul), quase que no mesmo alinhamento, estão as fotos dos profissionais da saúde. Ainda nessa imagem do abraço que queremos dar”, disse Ir. Paula Souza, da equipe de Liturgia da Catedral.

Ao completar um ano do primeiro caso da doença no estado, as fotos nas colunas e paredes da igreja concretizavam a dor causada pela pandemia. Em cada rosto, uma história de vida ceifada duramente. Gilneide de Holanda Cavalcanti foi até a catedral encorajada por sua irmã Gilda. “Eu queria muito vir, mas não conseguiria sem ela”, disse Gilneide, ferida pela perda: no ano passado, seu marido Roberto, de 68 anos, e seu filho Rafael, de 33, morreram num intervalo de apenas quatro dias. “Na hora, o sentimento é de desespero, mas a fé e a oração vêm me sustentando até aqui”, disse.

A vigília teve momentos cobertos de emoção. Desde a procissão de entrada do clero, em silêncio absoluto a caminho do altar, até as histórias de vida contadas no ambão, passando pelo incenso nas fotos, as preces dos familiares, o canto à Nossa Senhora das Dores e a bênção do Santíssimo. Dom Fernando entregou flores à médica Rita de Cássia Ferreira e à enfermeira Rita Martins que cuidaram dele durante o tempo em que esteve doente com Covid-19 no hospital e em casa.

Para o monsenhor José Albérico, um dos organizadores da celebração, o memorial comove por, de certo modo, ser a materialização da dor das famílias. “É de uma concretude que nos faz repensar nossa responsabilidade, uma concretude que mexe com o coração da gente”, disse o sacerdote. “A vigília foi um momento de muita graça, em que podemos ver a presença de Deus, pois mesmo no sofrimento, Deus se faz presente”, concluiu.

Por força do decreto do Governo de Pernambuco que restringiu a quantidade de fiéis na igreja para controle da disseminação do vírus, a celebração foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da Arquidiocese, para que todas as famílias e fiéis da Arquidiocese pudessem participar.

Serviço:
Memorial Covid-19
Local: Igreja Catedral do Santíssimo Salvador
Alto da Sé, Olinda – PE
De 12 a 23 de maio de 2021
Horários de visitação:
De terça a sexta-feira, das 9h às 16h;
Aos sábados, das 11h às 16h;
Aos domingos, das 8h às 13h. Pascom AOR

Fonte: Diocese de Olinda

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